quarta-feira, 21 de maio de 2014

Caldeirada de bacalhau, amêijoas e grão

 Tenho-vos tentado trazer um pouco das minhas aventuras culinárias aqui pela minha nova cozinha londrina. É verdade que, na maior parte do tempo, me fascino com novos ingredientes e com uma panóplia de produtos que estes meus olhos (e estas minhas papilas gustativas) nunca tinham visto. Sou um excelente garfo e adoro fazer novas experiências na cozinha por isso gosto do facto de, praticamente todos os dias, ter tido a oportunidade de experimentar algo novo. As cozinhas do mundo fascinam-me e estou sempre à procura de novos sabores e aromas. Mas viver em Inglaterra, em termos culinários, não são só coisas boas. E, apesar de não me afetar muito (pelo menos ainda) o facto de existirem alguns ingredientes aos quais estava habituada e aos quais agora não tenho acesso facilmente, há pequenas coisas que custam imenso não ter. E duas delas são tão simples como o sal e o vinho branco!! Sim, é bem verdade... por aqui, o nosso sal, aquele sal grosso com que fazemos tudo nas nossas cozinhas, que custa uma verdadeira pechincha no supermercado em sacos de 1 quilo (ou ainda mais pechincha para quem, como eu, nasceu e sempre viveu numa terra de salinas), aqui não existe...ou melhor, existe e é vendido ao preço do ouro! Aqui, esses sacos de sal a que estamos habituados, são o nosso sal de mesa! O sal marítimo, grosso, é vendido em pequeninos frascos ou boiões e é caríssimo. A mesma coisa se passa com o vinho branco! Quem é o português que não tem sempre um pacote ou uma garrafa de vinho branco por casa para os seus cozinhados?! Na minha casa, isso nunca mas nunca faltou. Pois bem, por aqui também não existem esses pacotes de vinho de mesa e, os que existem, são super caros (e nem vou falar do preço do vinho em garrafa, que fico já de coração destroçado. Eu, uma fã incondicional e assumida de um bom vinho, que sempre vivi numa casa em que nunca faltavam ótimas garrafas). Pois bem, sorte a minha que, do mal ao menos, graças a uns amigos figueirenses que cá temos a viver há muito mais tempo, descobrimos que, de quando a quando, nos podemos abastecer numa mercearia portuguesa que tem todas estas coisas e muitas mais, vindas diretamente de Portugal :)  E claro, no passado fim de semana, corri para essa mercearia para me abastecer de sal e vinho branco e para beber um belo café português ;) hehe
Outra das coisas que me mete confusão aqui (e essa mete mesmo muito confesso) é o facto de existir pouco peixe fresco à venda e, aquele que há (pelo menos o que vi até agora), não tem preços nada simpáticos. Para mim, nascida e crescida em terra de mar, filha de pai que sempre passou e passa a vida a pescar, habituada a ter sempre peixe em casa acabado de sair do mar, é algo que me atormenta. E, claro está, a falta de bacalhau. Ou melhor, do nosso bacalhau! Porque cá bacalhau há muito, mas é bacalhau fresco. Eu gosto bastante até, mas não é a mesma coisa que o nosso bacalhau! E, como tal, num dia saudoso de coisas portuguesas, deixo-vos esta receitinha ainda feita em Portugal, poucos dias antes de vir e vou ficar a olhar para ela para matar as saudades :)






Ingredientes para 4 pessoas: 
2 cebolas médias cortadas em rodelas
1 pimento verde cortado em tiras finas
2 dentes de alho picados
Cerca de 500 gramas de bacalhau (usei pedaços de bacalhau congelado especial para caldeirada)
Água q.b.
Vinho branco q.b.
Sal e pimenta
1 colher de sopa de orégãos
1 colher de sopa de salsa picada
1 colher de sopa de tomilho
1 colher de chá de cominhos em pó
1 limão
2 folhas de louro
1 alheira
2 chávenas cheias de grão cozido
2 nozes de manteiga magra sem sal
1 colher de sopa rasa de mostarda Dijon
1kg de amêijoas

- Levar ao lume um tacho grande bem regado com azeite. Juntar as cebolas, o pimento e os alhos e deixar cozinhar e alourar durante cerca de 5 minutos.

- Adicionar então o bacalhau, envolver nos legumes e cobrir com 1 copo de água e 1 copo de vinho branco. Temperar com sal, pimenta, orégãos, tomilho, salsa e cominhos e adicionar o limão cortado às rodelas e as folhas de louro. Tapar o tacho e, em lume médio, deixar o bacalhau cozinhar durante cerca de 8 a 10 minutos.

- Ao final desse tempo, adicionar a alheira cortada em rodelas e deixar cozinhar por mais 2 minutos. Acrescentar mais um copo de água e outro de vinho, bem como o grão, e deixar o molho cozinhar e apurar por mais 5 minutos.

- Adicionar então a manteiga e a mostarda. Tapar a panela e deixar cozinhar por mais 10 minutos, em lume brando, até o molho apurar. Por fim, juntar as amêijoas e deixar cozinhar por mais 3 a 4 minutos, até abrirem. 

- Servir a caldeirada polvilhada com salsa ou cebolinho fresco e com fatias de pão torrado.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Lulas e peixe-gato na frigideira com chouriço, puré de grão e molho de iogurte


Este é um daqueles pratos que andavam aqui a dar-me cabo da cabeça há não sei quanto tempo. Tive esta ideia (que agora posso dizer que foi uma excelente ideia ;) hehe) e, tal como tantas outras, anotei-a no meu caderninho para fazer...ou melhor, rascunhei qualquer coisa parecida àquela que me tinha surgido na cabeça ;) hehe
E, normalmente, dou sempre prioridade a experimentar as minhas receitas e criações próprias, acabando muitas vezes por deixar um pouco de lado as ideias que vou anotando um pouco de toda a parte: revistas, blogues, programas de culinária, livros de cozinha, etc... Mas este não foi o caso. Andava a adiar experimentar esta refeição porque já sei que o meu mais que tudo não iria ser propriamente um fã (quer dizer, muitas das vezes ele torce um bocado o nariz à partida e depois adora...e mesmo que não adore, pelo menos come sempre, o que já é muito bom .. hehe). Mas continuando... eis senão quando me vejo sozinha em casa da minha mãe, antes de vir para Londres, com a possibilidade de fazer um jantar totalmente a meu gosto para um grupo de pessoas famintas e que adoram todos os meus cozinhados! ;)  E, ainda por cima, tinha visto que um supermercado estava com as lulas em promoção, assim como os filetes de peixe-gato. Oportunidade melhor que esta?! Poder existir até podia...mas não ia certamente ser a mesma coisa... ou, pelo menos, não ia acontecer tão rápido ;) hehe  E lá fui eu para a cozinha pôr em prática esta minha receita. E deixem-me que vos diga: bendita a hora em que o fiz :) Aqui por casa não sobrou nada, mas mesmo nada para contar a história ;)



Ingredientes para 6 pessoas: 
1 kg de lulas limpas (ou pota)
2 filetes grandes de peixe-gato
Sumo de 1/2 limão
4 batatas grandes
Cerca de 500 gramas de grão cozido e escorrido
1 colher de sopa de cominhos moídos
Leite q.b.
Azeite q.b.
2 chouriços correntes cortados às rodelas
1 linguiça picante cortada em rodelas
2 dentes de alho
1 colher de sopa de colorau
Sal e pimenta q.b.
Piripiri a gosto (usei um pouco de malagueta vermelha bem picada)
Folhas de salada a gosto (usei alface frisada mas podem usar rúcula, agrião, chicória, etc)
Para o molho de iogurte:
2 colheres de sopa bem cheias de iogurte grego
1 colher de chá de mostarda Dijon
1 colher de chá de molho inglês
1 fio de azeite
1 pitada de sal e pimenta
1 pitada de colorau
Sumo de ½ limão

- Cortar as lulas em rodelas e colocar numa taça. Cortar os filetes de peixe-gato em tiras e reservá-los numa outra taça. Temperar ambos com o sumo de ½ limão.


- Cozer as batatas, sem casca e cortadas em pedaços, em água temperada com sal. Quando estiverem cozidas, escorrer e reservar.

- Numa taça, juntar todos os ingredientes do molho de iogurte, misturar bem e reservar no frigorífico até à altura de servir.


- Colocar em lume mínimo a panela com as batatas. Adicionar-lhe o grão, temperar com os cominhos e regar tudo com um pouco de leite. Triturar com a varinha mágica, juntando leite aos poucos e poucos, até adquirir a consistência desejada. Aumentar um pouco o lume e mexer o puré frequentemente, durante cerca de 5 minutos, até que comece a ferver e a borbulhar (se necessário, ir juntando mais um pouco de leite). Desligar o lume, tapar a panela e reservar.


- Levar ao lume uma wok ou frigideira ampla regada com azeite e juntar-lhe o chouriço, a linguiça e um dos dentes de alho ralados. Saltear os enchidos durante cerca de 4 minutos, até que fiquem dourados e crocantes e aromatizem bem o azeite. Retirar para uma taça, juntar à wok o outro dente de alho ralado e adicionar mais um fio de azeite caso seja necessário. 

- Acrescentar então as lulas, temperar com o colorau, o piripiri e uma pitada de sal e pimenta. Deixar saltear durante cerca de 3 a 4 minutos. Nessa altura, juntar o peixe-gato, envolver delicadamente e saltear durante mais 2 minutos. Retificar os temperos e juntar à frigideira as rodelas de chouriço e de linguiça. Envolver bem e desligar o lume.


- Servir as lulas e o peixe-gato com as rodelas de chouriço e de linguiça, acompanhados do puré de grão e de umas folhas de salada, tudo regado com umas gotas de molho de iogurte bem fresco. 

E aproveito também este post para vos trazer mais umas novidades londrinas bem fresquinhas ;)
Estou em Londres há duas semanas, como sabem, e tenho aproveitado os fins de semana para passear e conhecer um pouco mais a cidade. E este fim de semana que passou não foi exceção, claro está ;)  Sempre quis visitar Londres (ironia do destino hein? ;) hehe) e, desde que aqui cheguei, que estava sempre a dizer que tinha de ir fazer um passeio daqueles mesmo turísticos, para conhecer o centro da cidade e todas aquelas zonas e monumentos que vemos nos filmes ;) hehe  E foi isso mesmo que fiz este domingo! E digo-vos: adorei!!!!! :)  Se gostavam ou planeiam vir a Londres, têm de passar, pelo menos, um dia destes como nós passámos. Mas, conselho de amiga: tragam umas sapatilhas bem confortáveis e preparem-se para andar, andar muito a pé! Ao final do dia, quando cheguei (finalmente!!!) a casa, apercebi-me que tinha músculos e tendões pelo corpo que nem sabia que existiam ;) hehe  Deixo-vos aqui alguns registos fotográficos deste dia e depois vou trazendo mais :)




segunda-feira, 19 de maio de 2014

Almôndegas com espinafres, curgete e cogumelos em molho indiano

Lembram-se do meu post (que podem ver e rever aqui) no "Há vida para além da massa de atum", no qual falei dos benefícios (económicos e de sabor) de picar carne em casa e vos deixei algumas sugestões do que cozinhar com ela? Pois bem, aqui fica mais uma, que podia muito bem ter constado dessa lista também!
Como sabem, aqui por casa sempre tivémos o hábito de, todos os meses, comprar carne para picar e, portanto, faço várias refeições com carne picada, tentando sempre inovar o mais possível e procurando nunca repetir nenhuma (nem sempre é fácil mas tento o mais que posso :) hehe). O J. adoraaaa almôndegas e, como tal, estas nunca podem faltar no congelador depois de comprar e picar a carne. Esta refeição fez parte de mais um dos nossos jantares sem hidratos de carbono e foi uma deliciosa e saudável opção, que nos agradou imenso :)



Ingredientes para 2 pessoas:
Cerca de 10 a 12 almondegas (usei caseiras e, como tal, já estavam previamente temperadas com uma pitada de sal, pimenta, colorau, cominhos e alho em pó)
10 sementes de coentros
10 grãos de mistura de pimentas
½ colher de café de erva-doce em grão
1 pedaço de gengibre (com cerca de 3 cm)
1 dente de alho
Caril em pó
Açafrão das índias
1 colher de chá de cominhos
1 colher de café de colorau
½ colher de café de lemongrass moído
Azeite
Vinho branco
200 gramas de espinafres congelados
4 colheres de sopa de iogurte grego
2 colheres de sopa de leite magro
1 chávena de cogumelos frescos cortados
½ curgete cortada aos cubos
1 mão cheia de frutos secos a gosto (usei amêndoas e cajus)


- Levar ao lume, numa frigideira antiaderente, as sementes de coentros, pimentas e erva-doce e tostá-las durante cerca de 4 minutos para que libertem os seus sabores e aromas.


- Retirar as sementes para um almofariz e juntar o gengibre e o dente de alho ralados, 1 colher de chá de caril, 1 colher de chá de açafrão das índias, os cominhos, o colorau e o lemongrass. Triturar tudo até formar uma pasta. Reservar.


- Levar ao lume um tacho regado com azeite. Adicionar as almondegas, polvilhá-las com uma colher de chá de caril e adicionar 3 colheres de sopa de vinho branco. Deixar cozinhar em lume médio/alto, mexendo e virando as almondegas constantemente para que cozinhem de forma uniforme e não peguem ao tacho. Quando estiverem com uma cor alourada, retirar do tacho e reservar.


- Nesse mesmo tacho, deitar a mistura de especiarias e, em lume baixo, cozinhar durante um minuto, mexendo sempre. Juntar os espinafres, ¼ de copo de vinho branco e temperar com uma pitada de sal. Tapar o tacho com o lume no mínimo e deixar cozinhar cerca de 4 minutos até que os espinafres descongelem totalmente. Nessa altura, destapar a panela e subir um pouco o lume, deixando cozinhar mais 2 a 3 minutos para que o líquido evapore um pouco.


- Acrescentar então o iogurte e o leite e retificar os temperos (nesta altura juntei mais uma colher de sopa rasa de caril e outra de açafrão das índias porque gosto destes sabores bem fortes e apurados mas façam consoante o vosso gosto e paladar). Deixar o molho cozinhar e espessar em lume médio/alto durante cerca de 8 a 10 minutos.


- Acrescentar os cogumelos e deixar cozinhar mais 3 a 4 minutos. Por fim, juntar a curgete, os frutos secos e as almôndegas e cozinhar por mais 7 minutos, até o molho estar bem apurado. Desligar o lume, tapar o tacho e deixar repousar entre 5 a 10 minutos antes de servir.

domingo, 18 de maio de 2014

Bolo de água com compota

Hoje celebra-se o World Baking Day!! Os blogs e as redes sociais estão recheados de fotografias e de receitas de cortar a respiração e fazer subir vertiginosamente os níveis de gula e de glicémia só de olhar ;)  Sim, eu poderia ter feito um bolo fantástico (ou próximo de fantástico vá, que as minhas capacidades pasteleiras ainda não são assim tão elevadas) para celebrar este dia! Mas vocês sabem bem...a minha cozinha londrina ainda está muitoooo a meio gás e só no final deste mês é que vou adquirir alguns utensílios para poder fazer uns bolinhos (até porque vou fazer anos e mereço um bolinho certo?! ;) hehe). Por isso celebro o World Baking Day com um bolo simples, dos mais simples que conheço :)
Se há bolo que me faz lembrar a minha infância é definitivamente o Bolo de Água. Quando eu era pequena, nunca faltavam os bolos e doces em minha casa (e, mesmo assim, consegui crescer sem ser gulosa e só agora, que já tenho idade suficiente para ter juízo, é que me cresceu a gula ;) hehe). Quando já só existiam duas ou três fatias de um bolo no prato, a minha mãe já estava na cozinha com o forno ligado e a batedeira em punho a preparar o próximo. A par do bolo de iogurte, este bolo de água cheira mesmo à casa onde cresci :)  E, há uns tempos, quando decidi começar a fazer uns bolinhos e a experimentar estas "artes" da pastelaria, pedi de imediato a receita deste bolo à minha mãe. E ela deu-me a folha solta, amarela do tempo, com a receita escrita pela minha avó e que eu guardo religiosamente no meu caderninho de receitas ;)
Porém, este bolo de água foi uma espécie de "falhanço" que, no fim, acabou por sair diferente do previsto mas resultar imensamente bem :)  Fiz tudo certinho (não é difícil também, com uma receita tão básica ;) hehe) e lá coloquei o bolo no forno. Numa das vezes que o fui verificar com o teste do palito achei que o interior já estava perfeito mas o exterior precisava ainda de um minutinho ou dois para ficar com aquela crosta dourada e um pouco crocante que é tão característica deste bolo. Pois bem...não me perguntem o que fui fazer entretanto nesse minutinho ou dois... o certo é que passaram bem mais minutos que esses e, quando abri o forno, a crosta exterior tinha torrado e colado ligeiramente à forma. Conclusão: deixei o bolo arrefecer um pouco, retirei-o com todo o cuidado possível da forma e, com a ajuda de uma bela faca, "recortei" todo aquele exterior mais queimado, deixando apenas à vista um bolo super fofo. Achei portanto que faltava ali mais qualquer coisa... abri as portas da despensa e o frigorífico e mal olhei para o frasco de uma das minhas compotas, decidi que era com ela que iria cobrir aquele bolo! E sabem que mais?! Ficou uma verdadeira delícia ;) hehe  Diferente mas não deixei de sentir na boca aquele sabor da infância ;)
Ingredientes: 
2 chávenas de açúcar
2 chávenas de farinha
1 colher de chá de fermento em pó
1 chávena de água
3 ovos
Compota a gosto (usei uma caseira de kiwi, pêra e lima, cuja receita podem ver aqui, mas podem usar a da vossa preferência) 



- Separar as claras das gemas. Bater as gemas com o açúcar e um pouco da água até a mistura começar a ficar lisa e homogénea.

- Aos poucos, sem parar de bater, adicionar aos poucos à taça a restante água e a farinha, incorporando tudo muito bem.

- Por fim, bater as claras em castelo e juntá-las ao preparado anterior, envolvendo delicadamente.

- Verter a mistura numa forma untada com manteiga e polvilhada com um pouco de farinha (usei uma forma de bolo inglês) e levar ao forno a 180ºC durante cerca de 20 a 25 minutos, ou até o bolo apresentar uma camada exterior bem dourada e o interior fofo e ligeiramente húmido.

- Retirar e deixar arrefecer um pouco antes de desenformar, barrando depois o bolo de água com a compota.


sábado, 17 de maio de 2014

Coxas de frango no forno com molho de cerveja, cebola e spring onions


Se há coisa que me tem fascinado aqui em Londres, como já vos disse, é a variedade de ingredientes e produtos alimentares que temos à nossa disposição (e os preços baixos dos mesmos), bem como a panóplia incrível de tudo e mais alguma coisa para a cozinha, a preços que só nos dão vontade de trazer tudo para casa, incluindo aquelas coisas que nem sabemos bem se vamos utilizar algum dia ;) hehe  Pois bem, quanto aos utensílios e aos pequenos eletrodomésticos de cozinha, as coisas têm de ir sendo adquiridas aos poucos até porque, por agora, apenas uma pessoa está a trabalhar aqui em casa. Por isso, à medida que os dias passam, vamos tentando adquirir as coisas mais básicas e essenciais, que garantam a "sustentabilidade" da minha cozinha e que me permitam ir fazendo refeições! (mas no dia 28 deste mês faço anos e já avisei meio mundo que a minha prenda vai ser sair de casa e regressar com imensas coisas novas para a minha cozinha :) depois prometo que vos mostro tudo ;) hehe  E, até lá, vou-vos mostrando as coisinhas que vou adquirindo e que acho que valem a pena serem partilhadas convosco!). Uma das primeiras coisas que comprei, logo no meu segundo dia em Londres, foi um simples tabuleiro de forno! É daquelas coisas que, para mim, são essenciais em qualquer cozinha porque dão para fazer uma variedade de pratos incríveis, sem ser necessário muito trabalho...e, como devem imaginar, o tempo aqui em Londres é do mais inconstante que existe e as temperaturas não atingem patamares muito elevados. Como tal, a comidinha de forno, que já me caía sempre tão bem em Portugal, aqui sabe ainda melhor :)
Já no que diz respeito aos ingredientes, mal soube que a minha vida se ia mudar para cá, fiz logo na minha cabecinha uma lista de produtos que queria definitivamente procurar e experimentar! Sabem alguns daqueles ingredientes que vêem a ser utilizados nos programas de culinária ingleses com tanta naturalidade e que se matam para encontrar em Portugal e, muito provavelmente, não o conseguem?! Ingredientes como aqueles que o meu querido Jamie Oliver tantas vezes utiliza e que vocês querem mesmo saber qual o sabor daquilo que parece tão banal para ele?! Pois bem, para mim, as spring onions estavam no topo dessa minha lista :)
Em Portugal, na minha querida cidadezinha à beira-mar plantada, nunca mas nunca as encontrei! E, mal cheguei aqui, os meus olhos apaixonaram-se de imediato pelos molhos e molhos de spring onions que tão facilmente se encontram em qualquer esquina (por cerca de 50 cêntimos o raminho). Um verdadeiro deleite para os meus cozinhados! E claro, sem mais demoras, lá fui eu (verdadeira tuga cheia de ansiedade por testar um novo produto) comprar um molho destas pequenas maravilhas que, desde esse dia, passaram a fazer parte da minha cozinha, de forma quase tão essencial como as cebolas ou os alhos ;)
E, num dia londrino bastante típico de chuva e de frio, lá fui eu fazer a minha primeira experiência com elas...onde? Num pratinho de forno, pois está claro ;)



Ingredientes para 2 pessoas: 
2 coxas de frango
Sal e pimenta q.b.
1 colher de chá de cominhos moídos
1 colher de chá de colorau
1 colher de chá de orégãos secos
Azeite q.b.
1 cebola grande cortada em rodelas finas
1 spring onion cortada às rodelas
2 dentes de alho bem picados
1 cubo de caldo de galinha ou de carne (desfeito grosseiramente com as mãos)
1 cerveja (25 cl)
Noodles asiáticos

- Temperar as coxas de frango com sal, pimenta, cominhos, orégãos e colorau. 

- Levar ao lume uma frigideira antiaderente regada com um pequeno fio de azeite e alourar o frango, de ambos os lados, durante cerca de 5 minutos. 

- Retirar as coxas de frango da frigideira e dispô-las num tabuleiro de forno. Juntar ao tabuleiro a cebola, as spring onions, os dentes de alho e o caldo de carne. Regar a frigideira onde se alourou o frango com a cerveja e regar o tabuleiro de forno com este líquido. 

- Levar ao forno previamente aquecido a cerca de 190ºC durante 30 a 40 minutos. Ao final deste tempo, aumentar a temperatura do forno para 200/210ºC e deixar cozinhar por mais 10 a 15 minutos. Mudar o forno para a função grill e deixar o frango alourar por mais cerca de 15 minutos, ou até estar bem douradinho e crocante.

- Servir as coxas de frango com noodles asiáticos (para isso basta cozer os noodles em água a ferver, de acordo com as instruções da embalagem), tudo polvilhado com mais spring onions a gosto e um pouco de cebolinho fresco bem picado.